domingo, 15 de novembro de 2009

ESPERANÇA



Quero trazer à memória
Tudo que pode me dar esperança.
Que ao início de cada manhã
A esperança levante meu semblante
Eu seja mergulhada na paz
Que me faz uma nova mulher.

Que a cada dia eu me lembre
que o sol nasce radiante.
Que a chuva rega a terra.
Que as flores lançam sementes
que os pássaros, em alegre canto,
espalham pela terra como grãos de vida.

Quero sim trazer à memória
A terna misericórdia divina.
Do trigo colhido em pão transformado.
Da água que mata a sede do peregrino.
Dos abraços que abraçam e amparam.
Das mãos que tocam em afagos.

O desejo de sempre estar presente.
A cura da dor da ausência.
A certeza que invade a alma
E faz-me viver a despeito do medo.
Da graça da salvação alcançada
Do amor conquistado que me tornou nova mulher.

Maria Eugenia
13/07/2008
*direitos reservados*

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Um gélido silêncio




Um silêncio absolutamente incomum
tomou conta dos dois.
Sonhos, desejos, projetos
desapareceram ante o gélido silêncio.

Como pode acontecer
assim tão de repente?
Os dois não perceberam
o abismo sepulcral da indiferença?

Se perceberam, calaram-se
por comodidade, apego,
medo de mudar a rotina
tão sacramentada no ritual do dia-a-dia.


Agora, frente a frente,
as palavras esvaeceram por completo.
Somente um pigarro forçado
quebrava a monotonia do silêncio.

Maria Eugenia
5/11/2009
*direitos reservados à autora*

domingo, 1 de novembro de 2009

Até que vença a Paz!






Até quando?
Até que...
A humanidade seja semente
de sonho
e liberdade.

Até que
a Vida vença a morte.
Até que...
a gente no presente
de alma inquieta
vislumbre no futuro
de alma lavada
a possibilidade
da paz sem fim,
de gestos afetuosos,
de toques,
de afagos,
de brilho de vida no olhar.



Até que...
Maltratando a Terra
a própria maldade
não nos tenha envelhecido.
Não nos tenha embrutecido.
Que não faltem as palavras
como bálsamo
para a cura dos cansados.



Até que
a violência cesse
no abraço da solidariedade.
Até que
a semente do sangue
de tantos ao longo dos séculos
tenha germinado.
Até que
o lobo ao lado do cordeiro
vivam juntos nos campos da paz...

Maria Eugenia
19/04/2008
01/11/2009
*direitos reservados à autora*

domingo, 11 de outubro de 2009

POESIA DE UMA VOVÓ




Neste dia da Criança
quero escrever ao meu menino...
Para tanto gostaria
de ter todo o talento do mundo.
De conhecer todas as palavras.
Ter a habilidade de um escriba.
E a capacidade de um escritor.

Queria conhecer toda a harmonia dos sons.
Decifrar todos os dons...
Gostaria de ter os poderes dos super-heróis.
Que com um truque transformam o mundo.
Queria transformar as cores
em um lindo arco-íris de uma nova aliança
De paz e esperança...

Mas, não possuindo essas habilidades
Entendi que tenho braços para abraçá-lo...
Beijos de batom para melecar sua bochecha...
Um almoço gostoso na casa da vovó...
Sorrisos e cócegas para alegrar a vida.
E um coração em prece para pedir a Deus
Proteção para todos os dias de sua vida.

E num rasgo de entendimento compreendi ainda
Que tenho voz para dizer:
CADU, a vovó o ama muito, muito...
Você encheu nossa casa de riso.
Tirou o luto e trouxe os raios do sol.
Com o sol foi devolvida a vida
Que se escancara nas suas estripulias...


Maria Eugenia
11/10/2009
*ao meu netinho Cadu, hoje com 7 anos e a todas as crianças de todas as idades
**direitos reservados à autora*

domingo, 27 de setembro de 2009

RECOLHA







Recolha as palavras...

Emudeça...
Olhe os tempos,veja os sinais.
Sinta os odores,pressinta as dores...
Espera...
como mãe na expectativa do parto.

Guarda o choro.
Não grite, agüente
a espera angustiante...
Recolha as palavras...Não as gaste.
Olhe os tempos, observe os ventos
perceba a direção agora sem dissimulação.
Agüenta...
Alimenta o teu corpo
com a ausência.
Mantenha a aparência.
Use as reticências
que simulam calma
quando a alma alimentam.

Não se agite.
Aguarde. Permaneça imóvel
guarde o que resta.
Sobreviva.
Não se dobre.
Como a mulher em dores de parto.
Aguenta...

Lembra. Tão somente lembra
que o riso vem ao amanhecer.
E se não vier?
Aguenta...
Recolha as palavras e lamenta.
Silencia...
Um silencioso lamento.
Mesmo que tenha um sorriso
dissimulado no rosto.

Maria Eugenia
15/11/2007
*direitos reservados à autora*

domingo, 16 de agosto de 2009

Perdida



Na tua vida a minha vida
se misturou e se fundiu
qual pintura em que não se distingue
a água ou o óleo
o pincel ou os dedos
o criador ou a criatura.

Mistura química
totalmente amalgamada,
juntada numa total mescla
que, se repartida, cada parte
perde uma parte do todo.

Como separar a tua vida da minha vida?
Se já não sei se estou viva
ou se vivi pela tua vida...
Respirar não significa nada
Sentir não significa que estou viva...

Perdi-me nos teus sonhos,
fundi-me em tua pele,
misturei-me ao teu cheiro.
Vivi os meus anos nos teus anos
que já não sei se tenho vida,
se vivi pela tua vida
ou morri e não senti.

Perdi-me...
constatei tardiamente
que não vivi.
Sobrevivi tão somente.

Maria Eugenia
15/8/09
*direitos reservados à autora*

sábado, 8 de agosto de 2009

Adormecida









Saudade do teu cheiro.
Cheiro bom,
cheiro brejeiro,
cheiro de flor do campo
misturado com alfazema.

Saudade do teu colo.
Colo bom...
Minha cabeça reclinada.
Adormecida,
embalada pelo teu cheiro.

Saudade da tua presença,
lembrança benfazeja,
impregnada na memória.
Flor do campo...
Alfazema...
Cheiro brejeiro.
cheiro de flor do campo...
Colo bom!
Lembrança gravada na memória...
Campo...
Odor...
Flor...
Carícia...
Embalada...
Adormecida...
Saudade do teu colo, mãe!

Maria Eugenia
04/01/2008
*direitos reservados à autora*